quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Como Enfrentar o Sofrimento?


John Bunyan nasceu na Inglaterra em 1628. Ele aprendeu a trabalhar com o pai com o metal e tornou-se um funileiro. Eles eram pobres e por isso, ele recebeu uma educação normal, ou seja, aprendeu a ler e a escrever, nada mais do que isso. Ele não tinha uma educação superior. O sofrimento mais notável de sua vida começou em sua adolescência. Em 1644, quando tinha 15 anos, sua mãe e sua irmã morreram num intervalo de um mês. Para aumentar a inquietação do seu coração, seu pai casou de novo, em um mês. Aos 21 anos ele se casou e através de sua esposa que trouxe para o casamento alguns livros escritos pelo pai, foi então que ele conheceu a Cristo. Eles tiveram 4 filhos Mary, Elizabeth, John e Thomas. Mary, mais velha, nasceu cega. Após dez anos de casado sua esposa morreu, ele tinha 30 anos. Um ano depois, em 1659 ele se casou com Elizabeth Bunyan. No ano seguinte ele foi preso e sua esposa estava grávida e teve um aborto durante a crise. Então ela cuidou das quatro crianças, como madrasta, sozinha, por doze anos.
Aquele homem sofreu muito. Mas mesmo no sofrimento ele foi capaz de aprender de Deus. John Bunyan viu seu aprisionamento como sendo nada mais do que Deus havia planejado para ele.

O que, então, ele poderia dizer ao seu povo, para prepará-los para a probabilidade de sofrerem por Cristo?

O texto que ele usou foi 1Pedro 4.19,

“Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.”

Contexto:
Assim como John Bunyan, o apóstolo Pedro também estava enfrentado uma grande perseguição. A história nos diz que o grande Nero, o imperador de Roma incendiou a grande cidade romana, e enquanto a cidade era lambida pelas chama ele tocava lira. O desejo Nero era construir uma nova cidade. Porém, ele precisa encontrar um culpado pelo incêndio. Nero então culpou os cristãos pelo incêndio de Roma (julho de 64 d.C), usando-os como bodes expiatórios. É provável que o apóstolo Pedro estivesse em Roma nessa época e que tenha sido executado por Nero, e que também mandou matar Paulo. A princípio, a perseguição de Nero aos cristãos foi local, mas, ao que tudo indica, acabou se espalhando. Por isso quando Pedro escreve essa epístola, o sua intenção é preparar as igrejas para o “fogo ardente” que se aproxima, sobre o sofrimento que os cristãos terão que enfrentar.

Portanto, o apóstolo Pedro tem algumas lições a nos ensinar sobre a questão do sofrimento, são lições difíceis para enfrentarmos tempos difíceis, então vejamos:

Ele nos dá basicamente quatros lições necessárias para triunfarmos sobre as provações:
Primeiro, Devemos esperar o sofrimento (1Pe 4.12)
Segundo, Devemos nos alegra no sofrimento (1Pe 4.13, 14)
Terceiro, Devemos examinar a razão do sofrimento (1Pe 4.15-18)
Quarto, Devemos confiar em Deus no sofrimento (1Pe 4.19)


Como Enfrentar o Sofrimento?


1. Devemos Esperar o Sofrimento (1Pe 4.12)
“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo;” (1Pe 4.12).

1.       O sofrimento não é algo estranho na vida cristã.
Não é estranho. Não é absurdo um cristão sofrer. Não é algo sem sentido. É propositado. É para sua prova.
Ao longo de toda a história, o povo de Deus tem sofrido nas mãos do mundo ímpio.

Nós podemos ver isso em várias pas­sagens da Bíblia.

a.                 Caim e Abel - Caim era um homem religio­so e, no entanto, odiava o irmão e o matou (Gn 4.1-8). O mundo não persegue “pessoas religiosas”, mas sim pessoas justas. 1João 3.12 explica o que levou Caim a matar Abel: “Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas”.

b.                 Os Fariseus e Jesus Cristo - Os fariseus e eram homens religiosos e, no entan­to, crucificaram Cristo e perseguiram a Igre­ja primitiva. “E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas” (Mt 10.17). Imaginem açoitar os servos de Deus na pró­pria casa de Deus!

c.                  Paulo e as Perseguições – Até mesmo o Apóstolo Paulo enfrentou o sofrimento em sua vida! Paulo foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica e Beréia, chamado de tagarela em Atenas, impostor em Corinto. Paulo enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém, acusado em Roma. Enfrentou um naufrágio na viagem para Roma, foi picado por uma cobra em Malta e preso e degolado na cidade dos césares. Paulo passou frio e fome. Foi açoitado com varas e enfrentou perigos em rios, desertos e mares. Ele mesmo quem diz: “... eu trago no corpo as marcas de Jesus.” (Gálatas 6.17). Entretanto, no livro de Atos nós encontramos as palavras do Senhor Deus a respeito do chamado do apóstolo Paulo: “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.” (Atos 9.15,16).

d.                 Jesus e os Discípulos - Jesus explicou aos seus discípulos que de­veriam esperar oposição e perseguição do mundo (Jo 15.17 – 16.4), mas também lhes deixou uma promessa animadora: “No mun­do, passais por aflições; mas tende bom âni­mo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Portanto, conforme o apóstolo Pedro a perseguição para o cristão em várias formas é inevitável. Na realidade, a surpresa seria se não viessem provações.

2. O sofrimento não é para nos destruir e sim para nos provar/purificar.
“não estranheis o fogo ardente que surge entre vós”
No Antigo Testamento, o fogo simbolizava a santidade de Deus. O fogo no altar consu­mia o sacrifício (Hb 12.28, 29). Mas Pedro vê na imagem do fogo um processo de refi­namento, não de julgamento divino (ver Jó 23.10; 1Pe 1.7).
O “fogo ardente” sobre o qual o apóstolo fala em 1Pedro 4.12 sobrevém em decorrência de sermos fiéis a Deus e de nos apegarmos com firmeza ao que é correto.

“não estranheis o fogo ardente que surge entre vós”
O verbo “surgir” é importante, pois sig­nifica “acompanhar”. Nenhuma perseguição ou provação simplesmente “acontece” por acidente. Antes, faz parte do plano de Deus, de modo que ele está no controle. Faz par­te de Romanos 8.28, e tudo cooperará para o bem dos que permitirem a Deus operar segundo sua vontade.

Portanto, Não fique surpreso se você está sendo perseguido. Não fique admirado, se a vida está difícil. Não fique admirado quando alguém discordar do seu testemunho.
Não fique espantado quando você não puder adquirir a promoção que você tanto quer no trabalho;
·                    Quando seus amigos do trabalho são hostis e perseguem a você;
·                    Quando você é escarnecido;
·                    Quando você não adquire o que você merece;
·                    Não fique surpreso quando seus vizinhos parecerem ter uma rixa contra você por uma razão que você não pode entender.

Não fique surpreso. Não fique espantado. Isso é inevitável. Isso é normal. Isso não é estranho!
Todos os cristãos deveriam entender facilmente que o sofrimento caminha com a fé cristã, faz parte de nossa caminhada. Não é estranho, não é um anormal. Ser cristão não significa ausência de sofrimentos.

Assim, a primeira lição que Pedro nos ensina é que devemos esperar pelo sofrimento.



2. Devemos nos Alegrar no Sofrimento (1Pe 4.13, 14)
“pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus.” (1Pe 4.13,14)

1. Devemos entender que é possível enfrentar o sofrimento com alegria.

Pedro nos dá três razões para nos alegrarmos no meio do fogo ardente:
a.                 O sofrimento representa comunhão com Cristo (v. 13). “alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo”. O sofrimento para o crente significa partilhar das suas aflições passadas – Não somos co-participantes do sofrimento vicário de Cristo. Este foi único, cabal. Mas quando sofremos hoje, sofremos da forma que Cristo sofreu, com o mesmo propósito com que Cristo sofreu. Os apóstolos consideram um privilégio sofrer por amor a Cristo (At 5:40,41). Paulo diz: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29).

b.                 O sofrimento representa glória no fu­turo (v. 13).
“...sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.” O mundo acredita que a glória consiste na ausência de sofri­mento, mas o cristão vê as coisas sob outro prisma. A provação da fé no presente é ga­rantia de glória quando Jesus voltar (1Pe 1.7, 8). Essa foi a experiência de Cristo (1Pe 5.1), e também será a nossa.
Deus não vai substituir o sofrimento pela glória, mas sim transformar o sofrimento em glória. Jesus usou a ilustração de uma mu­lher dando à luz (Jo 16.20-22). O mesmo bebê que lhe provocou dor também lhe deu alegria. A dor foi transformada em alegria pelo nascimento do bebê. O espinho na carne que causava tanta aflição a Paulo tam­bém lhe dava poder e glória (2Co 12.7-10). A cruz que trouxe vergonha e dor sobre Je­sus também lhe conferiu poder e glória.
Pedro usa duas palavras diferentes para a alegria. Ele diz que quando nos alegramos no sofrimento iremos nos alegrar exultando na glória.  Pedro deixa bem claro que quando você sofre aqui na terra, quando você chegar na presença do Senhor você terá uma alegria exultante, ou seja nada neste mundo se compara com a alegria que vai preencher o seu coração na presença de Deus – será uma alegria arrebatadora.

c.                  Os sofrimentos trazem sobre o cristão o ministério do Espírito Santo (v. 14). “Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus.” Trata-se de uma referência à glória shekinah de Deus que habitava no tabernáculo e no templo (Ex 40.34; 1Rs 8.10, 11).
Esta é uma grande declaração. O que diz é que quando você sofrer, a presença de Deus descansa em você. E a presença de Deus entra na forma do Espírito dele, o Espírito que é glória no atributo essencial dele, até mesmo o Espírito que é Deus. Meu isso que uma tremenda, tremenda verdade. O Espírito de glória, sim o Espírito de Deus. Como o Shekinah descansou há muito tempo no tabernáculo e o templo, assim a glória de Shekinah de Deus, o Espírito santo em esplendor glorioso e restos de poder ao sofrer os cristãos.
Quando o povo apedrejou Estevão, ele viu Jesus no céu e experimentou a glória de Deus (At 6.15; 7.54-60). Essa é a “alegria indizível e cheia de glória” sobre a qual Pedro escreve em 1Pedro 1.7, 8.
Isso explica por que os mártires eram capazes de louvar a Deus atados a estacas no meio do fogo ardente. Também explica como cristãos perseguidos (e existem muitos no mundo hoje em dia) podem ser presos e executados sem se queixar nem resistir a seus algozes.

Policarpo, um bispo em Esmirna que vi­veu por volta da metade do século 11, foi preso por causa de sua fé e ameaçado de morte se não a negasse.
- Eu servi ao Senhor por oitenta e seis anos - respondeu o bispo piedoso -, e ele jamais me fez qualquer mal. Como poderia blasfemar contra o meu Rei e Salvador?
- Respeito a sua idade - respondeu o oficial romano. - Simplesmente diga: “Aca­bem com os ateus!” e você será liberto. ­Os “ateus”, nesse caso, eram cristãos que não reconheciam que César era “senhor”.
          O homem idoso apontou para a multidão de pagãos romanos a seu redor e exclamou:
- Acabem com os ateus!
Policarpo foi queimado na fogueira, e seu martírio glorificou o nome de Jesus Cristo.

Algumas árvores não dão fruto por que não enfrentaram o inverno.



3. Devemos Examinar a Razão do Sofrimento (1Pe 4.15-18)
O fogo ardente é um processo de refinamento pelo qual Deus remove a toda a sujeira, toda a escória e purifica a nossa vida. Um dia, um julgamento de fogo sobrevirá ao mundo todo (2Pe 3.7-16). E Pedro nos diz que o julgamento vai começar pela Igreja. Esse fato deve nos motivar a ser o mais puros e obedientes possível.

Sabe queridos, antes de indagarmos a Deus a respeito do nosso sofrimento, precisamos examinar a nossa vida.

a.                 Qual é o motivo de meu sofrimento? (v. 15).
É importante observar que nem todas as dificuldades da vida são, necessariamente, provações por fogo. Infelizmente, também há problemas causados por nós mesmos por causa da desobediência e do pecado. Quando Abraão, Davi, Pedro e outros “grandes homens” da Bíblia desobe­deceram a Deus, sofreram as conseqüências. É preciso ter certeza de que sofremos por ser cristãos, não por ser criminosos.

b.                 Envergonho-me de Cristo ou o glorifi­co? (v. 15).
“Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem;” Precisamos examinar o nosso sofrimento e verificar se eles vêm de Deus como fogo para refinar a nossa vida ou são conseqüências do pecado. Se você cometeu um furto, você vai sofrer as conseqüências dos seus atos. Se você age de maldade com as pessoas você vai sofre com as conseqüências do seu ato. Se você se intromete e na vida das pessoas – um fofoqueiro, você vai sofrer pelos seus atos. Mas, se você sofre em nome de Jesus, você não tem do que envergonhar.

c.                  Procuro ganhar os perdidos? (vv. 17, 18).
É interessante observar as palavras que Pedro usa para descrever os perdidos: “[aqueles] que não obedecem ao evangelho [n.] o ímpio, sim, o pecador”. A argumentação desses versículos é clara: se Deus envia o “fogo ardente” sobre os próprios filhos, e se eles são salvos “com dificuldade”, o que acontecerá aos pecadores perdidos quando sobrevier o julgamento de fogo do Senhor?
O “fogo ardente” pelo qual passamos agora não é nada compa­rado com a “chama de fogo” que castigará os perdidos quando Jesus voltar para julgar (2Ts 1.7-10). Esse conceito é expressado em Provérbios 11.31: “Se o justo é punido na terra, quanto mais o perverso e o pecador!”
As palavras com dificuldade não indicam que Deus é fraco demais para nos salvar. É bem provável que se trate de uma referên­cia a Gênesis 19.15-26, quando Deus quis tirar Ló de Sodoma antes de a cidade ser destruída. Deus era capaz, mas Ló não que­ria! Ele demorou, discutiu com os anjos e, por fim, teve de ser arrastado para fora pela mão! Ló foi salvo “como que através do fogo” (ver 1Co 3.9-15).

Antes de Deus derramar sua ira sobre este mundo perverso, um “fogo ardente” sobrevirá à Igreja para uni-la e purificá-la, a fim de que dê um forte testemunho aos per­didos. Se sofrermos dentro da vontade de Deus, não haverá motivo para temer. O Pai ­Criador fiel nos acompanhará até o fim e nos dará vitória!
Infelizmente muitos cristãos estão sofrendo não por causa do “fogo ardente”, mas devido as conseqüências do pecado. Lamentavelmente, a Igreja a cada dia que passa está mais parecida com o mundo.


4. Devemos Confiar em Deus no Sofrimento (1Pe 4.19)

1. Devemos entregar a nossa vida ao cuidado de Deus.
Quem sofre dentro da vontade de Deus pode entregar-se ao cuidado de Deus. O verbo “encomendar” é um termo bancário e significa “depositar a fim de guar­dar em segurança” (ver 2Tm 1.12). É evi­dente que, quando depositamos a vida no banco de Deus, sempre recebemos dividen­dos eternos pelo investimento.
Essa imagem lembra que somos precio­sos para Deus. Ele nos criou, nos redimiu, vive em nós, nos guarda e nos protege. Ao “depositar” a vida no banco de Deus, não há coisa alguma a temer, pois ele é ca­paz de nos guardar.
Esse compromisso não é um ato único, mas sim uma atitude constante. A essência dessa admoestação é: “estejam constan­temente encomendando a alma”. De que maneira se faz isso? “Na prática do bem.” Ao retribuir o mal com o bem e fazer o bem mesmo ao sofrer por isso, estamos nos en­tregando a Deus de modo que cuide de nós. Esse compromisso envolve todas as áreas e momentos da vida.

2. Devemos praticar o bem, mesmo diante do sofrimento.
O sofrimento não deve nos endurecer nem nos deixar apáticos. Ao contrário, nossa entrega a Deus leva-nos à ação. Devemos semear ainda que com lágrimas. Devemos amar, ainda que rejeitados. Devemos abençoar ainda que amaldiçoados. Devemos orar, ainda que perseguidos. [1]
Por que Pedro refere-se a Deus como “fiel Criador” e não como “fiel Juiz” ou “fiel Salvador?” Porque é Deus, o Criador, quem supre as necessidades de seu povo (Mt 6.24­34). É o Criador quem provê alimento e vestimentas para os cristãos perseguidos e quem os protege em tempos de perigo. Quando os cristãos da Igreja primitiva eram perseguidos, encontravam-se para orar e se dirigiam a Deus como “Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há” (At 4.24). Oravam ao Criador!

Não é assim que acontece! Esse texto garante que, não importa o que venha a acontecer conosco, Deus sempre escreve o último capítulo. Portanto, não precisamos ter medo. Podemos crer que Deus fará aquilo que é certo, por mais dolorosa que seja nossa situação.
Portanto, meus amados, o cristão também sofre. Isso não é algo estranho. Quando analisamos o livro de Jó e verificamos a dor que aquele homem sentiu, e quando você chega ao último capítulo e observa como Deus mudou a sorte de Jó, então ali entendemos os propósitos de Deus para o sofrimento. A maior bênção de Jó não foi reaver sua riqueza nem reconstruir sua família e seu círculo de amigos. Sua maior bênção foi conhecer melhor a Deus e compreender seu modo de agir, a sua soberania de maneira mais profunda.


Aplicação:
Sabe meus amados, após a exposição das Sagradas Escrituras, nós podemos extrair desse texto algumas aplicações valiosas para o nosso coração.

Em primeiro lugar, o sofrimento não é algo estranho para o cristão.
Como cristãos, precisamos entender que o sofrimento não é algo estranho, é uma prova de um Pai amoroso, o sofrimento não existe para nos destruir, e sim, para nos refinar, nos purificar com o fogo. O sofrimento é o caminho para a glória.


Em segundo lugar, Deus usa o sofrimento muitas vezes para falar ao nosso coração.
No seu livro The problem of pain (Problema da Dor), C. S. Lewis escreveu: “Deus sussurra nos nossos momentos de deleite... mas Ele grita nas horas de dor." - Fonte: www.gospelcom.net.
E o Rev. Hernandes acertadamente diz que, “Algumas vezes vemos mais através de uma lágrima do que através de um telescópio. A alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas”. [2]
Sem dúvida alguma, aprendemos mais nas tempestades do que nas bonança. Aprendemos mais de Deus nos momentos de Deus do que nos momentos de alegria. É no sofrimento que nos aproximamos de Deus, lamentavelmente.


Em terceiro lugar, mesmo no sofrimento, Deus está presente.
Nós começamos o sermão falando do Sofrimento de John Bunyan. E gostaria de citá-lo mais uma vez. John Bunyan sofreu com a morte da mãe e da irmã. A morte da esposa deixando com quatro filhos pequenos. O nascimento da primogênita cega. A prisão de doze anos. A doença final e sua morte longe daqueles que ele mais amava na terra, além das pressões e temores.
Contudo ele escreveu um livro, O PEREGRINO. O livro mais vendido no mundo depois da Bíblia, traduzido em mais de 200 idiomas. Os ministros pregam melhor quando estão debaixo da cruz. Ele ensinou várias vezes para a sua congregação que a chave para sofrer corretamente é ver todas as coisas nas mãos de um Deus misericordioso, bom e soberano, e “viver em Deus, que é invisível”.
Todavia, o que a maioria das pessoas não sabe, é que ele escreveu mais de 50 livros na prisão. E que esses livros até hoje, tem abençoado muitas vidas ao longo dos anos. Seus sofrimentos o tornaram um grande escritor. Mesmo sem ter uma formação especial. John Bunyan sempre ensinou, através dos seus livros, que o sofrimento não sobrevém por acaso, nem pela vontade do homem, mas pela vontade e pelo designo de Deus.

Você sabia que uma ostra que não foi ferida não produz pérolas? As pérolas são uma ferida curada. Pérolas são produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola é formada. Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.

O grande pregador Charles Haddon Spurgeon disse certa vez a respeito do sofrimento:
“É no mar da aflição que encontramos as mais raras pérolas.”[3]

Não importa o que Deus permita que aconteça em nossa vida, sempre existe seu “depois”. Ele escreve o último capítulo, e isso faz com que todo o resto valha a pena.

“Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.” (1Pe 4.19)

Foi esse texto que confortou o coração de John Bunyan, o coração de Pedro, e o coração dos cristãos que estavam sofrendo, e certamente irá confortar o seu coração.

Que Deus vos abençoe!



[1] Rev. Hernandes Dias Lopes. Como Enfrentar o Sofrimento Vitoriosamente.
[2] Rev. Hernandes Dias Lopes. Como Enfrentar o Sofrimento Vitoriosamente.
[3] Piper, John. Why We Can Rejoice in Suffering. In: www.desired.com

Um comentário:

  1. "Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem." Jó 42.5
    É no sofrimento que muitas vezes passamos a ver Deus como ele realmente é.

    Que Deus nos ajude em nossa carreira cristã.

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