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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Bíblia é Exatamente o Suficiente

Bible

por Rev. Jocarli A. G. Junior

O grito de guerra do s reformadores foi a frase latina, sola scriptura, “somente as Escrituras”. Ou seja, Deus revelou nas Escrituras tudo o que Ele desejou que soubéssemos e fizéssemos. Assim, a Bíblia não precisa de acréscimo dos papas ou concílios. Esta doutrina é chamada de Suficiência das Escrituras, o que significa que a Bíblia contém tudo o que precisamos para conhecer a Deus e viver uma vida piedosa.

Em 2Timóteo 3.15, 17, Paulo diz que a Escritura “é capaz de nos tornar sábios para a salvação”, e nos habilitar para “toda boa obra”. Em outras palavras, o conhecimento de Deus e de como fazer o que Ele deseja é encontrado na Bíblia. As respostas que buscamos a respeito de Deus, a ética e a vida estão na Bíblia. Então, a Bíblia não pode ser adicionada ou melhorada por gurus, experiências místicas, iluminação pseudo-espiritual, psicologia pop ou até mesmo declarações de supostas visões diretas do Espírito Santo.

Essa doutrina nos proíbe de acrescentar ou retirar “Nada acrescentareis à palavra que vos mando,  nem diminuireis dela...” (Dt 4.2). Isso não significa, no entanto, limitar Deus de escrever mais Escritura se Ele assim escolher. Mas o propósito da Escritura de revelar o plano de Deus da redenção está completo porque os eventos centrais desse plano da morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Jesus ocorreram e foram registrados (Hb 1.1-3).

Esta doutrina não significa que a Bíblia seja exaustiva. Deus não revelou tudo o que sabe ou tudo o que gostaríamos saber. Mas quando a Bíblia não trata de algumas questões da vida moderna, ela nos guia por princípios gerais.

Esta doutrina é muito necessária hoje para combater as numerosas autoridades falsas que concorrem com a Palavra de Deus. Isto pode ser tão verdadeiro dentro das igrejas como fora. Talvez a questão mais pertinente e difícil, que devemos ponderar seja: até que ponto as tradições da igreja ou nossas preferências pessoais, ao invés da Palavra de Deus, determinam nossas decisões?

O Preço do Verdadeiro Avivamento

propaganda blog estudospor Rev. Jocarli A. G. Junior

Um pastor estava ensinando sobre como estudar a Bíblia. Ele mostrou como encontrar as promessas e os mandamentos nas Escrituras. Finalmente, ele revisou e perguntou: “Agora, o que você faz com os mandamentos?” Uma senhora levantou a mão e disse: “Eu os sublinho com caneta azul”.

Sublinhar os mandamentos da Bíblia em azul pode deixar a Bíblia colorida, mas os mandamentos existem para serem obedecidos. Infelizmente, algumas pessoas possuem muitas informações acerca da Bíblia, mas não obedecem ao que a Bíblia ordena. Esse é sem dúvida alguma, um dos grandes problemas da igreja contemporânea, pouco conhecimento e pouca obediência.

O falecido pastor Presbiteriano James M. Boice em seu comentário sobre Neemias, disse que algo que sempre o intrigou foi o fato de que dificilmente as pessoas mudam de comportamento depois de anos de terapia ou aconselhamento com especialistas. Certa vez, ele perguntou a um amigo psicólogo, “Por que há tão pouca mudança através da terapia?” O amigo respondeu: “É porque as pessoas realmente não querem mudar. As mudanças não ocorrem, a menos que você queira”.[1]

Em Neemias 8, vimos o início de um avivamento quando o povo de Deus se reuniu para ouvir a Sua Palavra lida e explicado. No capítulo 9, o povo se arrependeu e confessou seus pecados. Agora, no capítulo 10, eles fazem um pacto para colocar a verdade de Deus em prática em várias áreas específicas. O texto revela cinco áreas onde o povo estava decidido a aplicar de forma pessoal à verdade de Deus.

I. Aplicação pessoal da verdade de Deus deve começar com a liderança.

1 Os que selaram foram: Neemias, o governador, filho de Hacalias, e Zedequias, 2 Seraías, Azarias, Jeremias, 3 Pasur, Amarias, Malquias, 4 Hatus, Sebanias, Maluque, 5 Harim, Meremote, Obadias, 6 Daniel, Ginetom, Baruque, 7 Mesulão, Abias, Miamim, 8 Maazias, Bilgai, Semaías; estes eram os sacerdotes.

A lista começa com Neemias e Zedequias, que era provavelmente seu assistente. Neemias deu o exemplo, colocando seu nome no topo da lista. Em seguida, assinaram o pacto 21 sacerdotes, os chefes das famílias sacerdotais (10.2-8). O nome de Esdras não está aqui, porque o cabeça de seu lar era Seraías (10.2; Ed 7.1). Em seguida, vêm os nomes dos 17 chefes das famílias dos levitas (10.9-13), seguido por 44 chefes das famílias mais importantes (10.14-27).[2] Alguns destes nomes são idênticos aos da lista de Esdras 2 e Neemias 7. Outros representam famílias novas que se dividiram no tempo de Zorobabel, ou recém-chegados da Babilônia.

A desobediência traz inevitavelmente o castigo; e os judeus sentiam que já tinham sofrido bastante. Agora querem a bênção de Deus. Seu primeiro compromisso, portanto, foi com a sua Palavra.[3] Primeiramente eles se comprometeram em submeter-se a Palavra de Deus e separar-se de seus vizinhos pagãos. Mas o pacto incluiu também questões envolvendo o templo (v. 32-39). Leis para todas as ofertas de forma a não “negligenciar a casa de Deus” (v. 39).[4]

Neemias foi o primeiro a colocar o seu selo sobre o documento. Cyril Barber estava certo quando disse que, “Ele dá um passo e oferece exemplo para que os demais o sigam”.[5] Os líderes colocaram seus nomes na linha pontilhada e comprometeram-se a fazer o que eles esperavam que os seus liderados fizessem.

A mãe foi repreender o filho por não dizer a verdade. “Johnny”, ela disse com firmeza: “você sabe o que acontece com meninos que dizem mentiras?” “Sim”, respondeu o menino, “eles viajam pagando a metade da passagem”. Ele obviamente tinha aprendido com a liderança de sua mãe!

Se o exemplo de contar as chamadas “mentiras brancas” quando, aparentemente, não teremos nenhuma vantagem ao dizer a verdade, os nossos filhos vão aprender rapidamente! Pregar uma mensagem e viver de forma diferente é hipocrisia.

A mudança na vida do povo de Deus começa na liderança. O povo segue os seus líderes. Na verdade, o povo é como um espelho que reflete sua liderança.

II. Aplicação pessoal da verdade de Deus começa com uma santidade baseada na compreensão.

28 O resto do povo, os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores, os servidores do templo e todos os que se tinham separado dos povos de outras terras para a Lei de Deus, suas mulheres, seus filhos e suas filhas, todos os que tinham saber e entendimento, 29 firmemente aderiram a seus irmãos; seus nobres convieram, numa imprecação e num juramento, de que andariam na Lei de Deus, que foi dada por intermédio de Moisés, servo de Deus, de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do Senhor, nosso Deus, e os seus juízos e os seus estatutos;

Após a assinatura do documento, o próximo passo na renovação da aliança foi a cerimônia de juramento. As pessoas se uniram aos seus líderes, tomando sobre si “uma maldição e um juramento” de acordo com a Lei de Deus. O não cumprimento dos termos do pacto iria automaticamente acionar a “maldição”, que estipulava penalidades para desobediência (Dt 27.15-26 e 28.15-68). Ou seja, os judeus estavam se comprometendo a viver sob a autoridade da Lei de Moisés que Deus havia dado a eles.

Ao referir-se a Lei como “Lei de Deus”, dada por meio de Moisés, eles estavam afirmando que acreditavam na plena inspiração e autoridade dos Escritos de Moisés como Palavra de Deus. Porque ela é a Palavra de Deus, não a palavra de Moisés, eles eram obrigados a obedecer a tudo.

Se a Bíblia é a Palavra de Deus, então nós não podemos obedecer apenas às partes que gostamos e rejeitar o que não gostamos. O conhecimento das Escrituras deve produzir uma transformação em nossa vida.

John Bunyan, o autor do best-seller, “O Peregrino”, disse com inteireza: “Somente quando a Palavra for verdadeiramente guardada em nosso coração é que seremos capazes de declarar sua verdade aos outros com autoridade e graça.”

O mais prestigiado centro de estudos islâmicos do mundo é a Universidade Al-Azhar, na cidade do Cairo, Egito. A universidade conta com trinta mil alunos. Mas, o que chama mais atenção é o pré-requisito para estudar lá, é a capacidade de recitar o Alcorão de cor. O alcorão tem 114 capítulos e cerca de 78 mil palavras.[6]

“... e todos os que se tinham separado dos povos de outras terras para a Lei de Deus...” (v. 28) – Além disso, observe que as pessoas deste pacto “tinham se separado dos povos de outras terras”. O ensino da separação precisa ser enfatizado em nossos dias. Todavia, em algumas situações o povo de Deus se separa de tal modo do mundo que se isolam daqueles que foram chamados a evangelizar.

No entanto, parece que os cristãos têm oscilado ao outro extremo, onde não existe uma diferença significativa entre a maneira como vivem e a maneira como o mundo vive.

O equilíbrio que precisamos manter, é que estamos no mundo, mas não somos mundo (Jo 17.14-17). Devemos viver no mundo para influenciar costumes culturais (Mt 5.13-16). Mas temos que ser distintos porque devemos obedecer a Palavra de Deus (Jo 17.14, 17; Ne 10.28). Esse conhecimento nos faz diferentes do mundo em termos de nossos relacionamentos, metas e valores.

III. Aplicação pessoal da verdade de Deus deve se estender ao lar.

30 de que não dariam as suas filhas aos povos da terra, nem tomariam as filhas deles para os seus filhos;

As pessoas tinham se comprometido a guardar toda a lei, de acordo com os versículos 28 e 29. Mas uma promessa geral, sem detalhes não significa muito. Em seguida, eles expressaram suas intenções em uma série de compromissos específicos.

O povo concordou em não casarem os filhos com os povos de outras terras. Deus advertiu Israel desse perigo quando estavam prestes a entrarem na terra de Canaã (Dt 7.3-4). Embora existam muitos casos em que Deus, graciosamente, utiliza uma pessoa para levar o cônjuge incrédulo a salvação, essas situações não justificar a desobediência à ordem clara de Deus para não entrar em um jugo desigual com os incrédulos (2Co 6.14). Esdras tinha lidado com este problema alguns anos antes (Ed 10), e Neemias terá que lidar com esse problema novamente no final do período de seu serviço em Jerusalém (Ne 13).

Essa decisão de não se envolver com outros povos não era um preconceito racial, uma vez que o povo judeu sempre teve alguns indivíduos de outras raças. Moisés se casou com uma etíope. Raabe de Jericó e Rute, a moabita, elas foram incluídas ao povo de Israel. A preocupação não era racial, mas religiosa (Êxodo 34.12-16).[7] Casamento misto é uma um caminho muito tênue que pode levar o povo Deus para longe dos caminhos do Senhor.

Quando os crentes se afastam dos caminhos de Deus, mais cedo ou mais tarde eles vão se juntar com pessoas erradas. E Satanás usa pessoas erradas para levá-lo ainda mais para longe do Senhor. O Apóstolo Paulo escreveu: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes...” (1Co 15.33). Se você deseja ser um homem ou uma mulher segundo o coração de Deus, então você não pode fomentar amizades com aqueles que se opõem a Deus e as pessoas de Deus.

A tentação de casamentos mistos tem sido uma armadilha permanente que Satanás tem usado por séculos contra o povo de Deus. Se você é solteiro, não case com um incrédulo! Além disso, cuidado com crentes nominais que afirmam conhecer a Cristo, mas que não estejam comprometidos em viver em obediência a Ele. O apóstolo Paulo sabia disso. Nas palavras que ecoam a preocupação do povo judeu sob Neemias, ele escreveu: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?” (2Co 6.14-15; 7.1).

Assim, a aplicação pessoal da verdade espiritual deve começar com a liderança. Ela começa com a santidade pessoal, baseada em submissão a Palavra de Deus e, estende-se ao lar.

IV. Aplicação pessoal da verdade de Deus deve se estender ao nosso trabalho.

31 de que, trazendo os povos da terra no dia de sábado qualquer mercadoria e qualquer cereal para venderem, nada comprariam deles no sábado, nem no dia santificado; e de que, no ano sétimo, abririam mão da colheita e de toda e qualquer cobrança.

O próximo compromisso firmado pelo povo foi a decisão de guardar o sábado e abster-se de toda atividade comercial e observar o ano sabático da terra, um tempo onde os campos não seriam cultivados. A exigência tem precedentes em Deus desde a criação que descansou no sétimo dia e também nos Dez Mandamentos, que diz: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êx 20.8).

Mesmo tendo em conta o fato de que a lei sobre o sábado era um dos Dez Mandamentos, ela foi negligenciada pelos israelitas. No tempo de Neemias, os judeus lidavam com o sábado como qualquer outro dia. O versículo 31 indica que a venda de bens e alimentos no sábado se tornou uma prática comum: “trazendo os povos da terra no dia de sábado qualquer mercadoria e qualquer cereal para venderem, nada comprariam deles no sábado” (v. 31). Mas agora, eles estavam destinados a transformar o sábado em um dia de descanso dedicado ao Senhor.

É importante saber que a palavra “shabbath”, traduzida por sábado em Êxodo 20, significa literalmente “descanso”. Essa informação é importante, pois mostra que os cristãos que guardam o domingo não descumprem o mandamento. Nós continuamos descansando um dia, depois de seis trabalhados. O Shabbath seria um dia que marca o fim da semana e a cessação do seu trabalho.[8]

Embora existam opiniões diferentes sobre se os cristãos devem guardar ou não o sábado, a Bíblia diz que não estamos mais debaixo da Lei (Rm 6.14). Assim, o domingo não é o sábado cristão, com uma lista de coisas que podemos ou não podemos fazer (Rm 14.5; Gl 4.10; Cl 2.16-17). Entretanto, ao mesmo tempo, há princípio nas leis do sábado no Antigo Testamento que podemos e devemos aplicar hoje. Deus nos criou com a necessidade de um dia para descansar e adorar. Domingo é o dia do Senhor (Ap 1.10) e é adequado deixar de lado nossas rotinas normais de trabalho e se reunir com o povo do Senhor para a adoração e edificação. Domingo é também um bom dia para investir tempo com outros crentes e tempo com o Senhor durante os horários que estávamos ocupados durante a semana no trabalho.

Murray afirma corretamente que “... o Shabbath... não deve ser definido em termos de cessação das atividades, mas cessação do tipo de atividade que fazia parte do trabalho nos outros seis dias”.[9]

Conforme a Confissão de Fé de Westminster, “Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão”. Ref. Êx 20.8-11; Gn 2.3; 1Co 16.1-2; At 20.7; Ap 1.10; Mt 5.17-18. (Capítulo XXI, Do Culto Religioso e do Domingo, Seção VII).

Sábado ou domingo?

A frase “Dia do Senhor” ocorre apenas uma vez no Novo Testamento, em Apocalipse 1.10. Uma frase similar aparece no ensino dos Doze Apóstolos, também conhecido como o Didache (“ensino”, em grego), uma obra escrita no final do primeiro século, provavelmente na Síria. Os leitores deste trabalho são instruídos a se reunir no dia do Senhor para partir do pão e dar graças (Did. 14.1). Uma prática semelhante é pressuposto em Atos 20.7. Quando Paulo instruiu os coríntios cada contribuir para a coleta para os santos na Judéia no primeiro dia de cada semana, ele pressupõe um encontro para o culto naquele dia (1Co 16.2). Cada um dos Evangelhos enfatiza a tradição que Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana. Essa ênfase, provavelmente, reflete a prática litúrgica. Esta associação é especialmente clara em Lucas, onde a história de Emaús liga o primeiro dia da semana, a ressurreição de Jesus, e o partir do pão (Lc 24.13-35).

Paulo em sua carta aos Colossenses instruiu a seus leitores dizendo que a observância do sábado não era necessária (Cl 2.16). Inácio, bispo de Antioquia, escreveu no início do segundo século que o Dia do Senhor deve ser observado no lugar do sábado (Ign. Magn. 9.1).[10]

Logo, os cristãos não estão sob as leis específicas do sábado do Antigo Testamento (Gl 4.10). Mas nos foi dado um novo dia, o “Dia do Senhor”, para desfrutar. É um dia de culto alegre e ativo. Mas será que realmente apreciamos como tal? Será que realmente o utilizamos o domingo para o culto e testemunho cristão? Ou apenas fingimos fazê-lo, ao passar alguns momentos formais na igreja e o restante assistindo futebol ou simplesmente descansando?[11]

O domingo (Dia do Senhor) deve ser um dia específico para um fim específico (Is 58.1). Nesse dia, devemos nos envolver em atividades de adoração, ensino e aprendizado das Escrituras.

“... e de que, no ano sétimo, abririam mão da colheita e de toda e qualquer cobrança” (v. 31) – Além do sábado, o povo assumiu o compromisso solene de também observar o Ano Sabático (Lv 25.1-7, 20-22; Dt 15.1-11). Cada sétimo ano, os judeus deveriam deixar a terra descansando para que ela pudesse se restaurar, um excelente princípio da ecologia.[12] Depois de sete anos sabáticos, eles deveriam celebrar o quinquagésimo ano como o “Ano do Jubileu” (Lv 25.8). Nesse ano a terra não era cultivada; todas as terras vendidas ou confiscadas eram devolvidas aos seus donos anteriores; e todos os escravos eram libertados (Lv 25.8-55; 27.16-25).

A nação não tinha fielmente celebrado estas observâncias especiais sabáticas. Esta foi uma das razões por que Deus enviou-os ao cativeiro (2Cr 36.21), para que pudessem dar a terra 70 anos de descanso (Jr 29.10).

V. Aplicação pessoal da verdade de Deus deve se estender ao nosso compromisso com a igreja.

32 Também sobre nós pusemos preceitos, impondo-nos cada ano a terça parte de um siclo para o serviço da casa do nosso Deus, 33 e para os pães da proposição, e para a contínua oferta de manjares, e para o contínuo holocausto dos sábados e das Festas da Lua Nova, e para as festas fixas, e para as coisas sagradas, e para as ofertas pelo pecado, e para fazer expiação por Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus.

A maior parte do compromisso do povo no capítulo 10 se refere às responsabilidades financeiras do templo e do sistema sacrificial. Os versículos de 32 a 39 mostram a renovação e preocupação do povo em adorar o Deus verdadeiro através do templo, sacrifícios e ofertas. Esses versos mencionam uma série de compromissos específicos para de fornecer ao culto do templo, resumida por “e, assim, não desampararíamos a casa do nosso Deus” (10.39). A frase “a casa do nosso Deus” ocorre nove vezes nestes versos.

1. O imposto do templo (v. 32-33).

“Também sobre nós pusemos preceitos, impondo-nos cada ano a terça parte de um siclo para o serviço da casa do nosso Deus” (v. 32) – A primeira responsabilidade mencionada é o imposto do templo. Este imposto era destinado aos itens necessários para as ofertas em momentos diferentes no templo. Os judeus concordaram em reinstituir esse imposto do templo.

Especificamente, as pessoas concordaram em pagar o imposto do templo de um terço de um siclo anualmente.[13] Em Êxodo 30.11-16, era a metade de um siclo. Alguns dizem que o siclo babilônico e o hebraico tinham diferentes avaliações, o que pode ser verdade. Outros dizem que o imposto em Êxodo era cobrado apenas no ano do censo, um imposto anual. Outros, como John Macarthur, afirmam que o valor foi reduzido, tendo em conta aqui a pobreza das pessoas. Qualquer que seja a solução, as pessoas concordaram em assistir as necessidades da casa de Deus.

1. A oferta da lenha (v. 34)

“Nós, os sacerdotes, os levitas e o povo deitamos sortes acerca da oferta da lenha que se havia de trazer à casa do nosso Deus” (v. 34) – A segunda responsabilidade era fornecer madeira para os sacrifícios do templo.

O povo não havia se contentado apenas com o pagamento do imposto do templo. Eles reconheceram que o serviço do templo necessitava de outras coisas que eles também poderiam fornecer, especificamente madeira para o grande altar e as primícias das suas colheitas e árvores.

Desde que o fogo no altar de bronze deveria ser mantido aceso constantemente (Lv 6.12-13), é necessário uma fonte constante de madeira.

“os levitas e o povo deitamos sortes acerca da oferta da lenha...” (v. 34) –Os líderes sorteavam e atribuíam às famílias o tempo em que deveriam levar a madeira até o altar. Nem todo mundo em Israel era um sacerdote ou levita, ou poderia doar cordeiros ou bois para sacrifícios, mas todo mundo poderia levar um pouco de madeira e ajudar a manter o fogo aceso.[14]

Eles prometeram fornecer a madeira necessária para o templo. Da mesma forma, organizações sem fins lucrativos precisam de doações de alimentos e roupas. Podemos oferecer nossa experiência em determinadas áreas.[15] E, o mais importante, podemos contribuir com nosso tempo.

2. As Primícias.

“E que também traríamos as primícias da nossa terra e todas as primícias de todas as árvores frutíferas...” (v. 35) – A terceira responsabilidade foi renovar a oferta de primícias (v. 35-37a). Esta oferta é mencionada várias vezes na lei do Antigo Testamento (Êx 23.19, 34.26 e Dt 26.2). A Lei declarou que o primogênito de cada família, bem como o primogênito de todos os rebanhos, pertencia ao Senhor. A oferta de primícias era entregue em reconhecimento de que tudo o que se seguia também vinha das mãos do Senhor, como um presente gracioso ao seu povo.

3. O Dízimo.

“As primícias da nossa massa, as nossas ofertas, o fruto de toda árvore...” (v. 37) – A quarta responsabilidade foi o dízimo (v. 37b-39). O dízimo diferia da oferta das primícias, em que o dízimo era uma décima parte de tudo o que era produzido pelos judeus. O precedente foi estabelecido por Abraão, que apresentou um décimo dos seus despojos a Melquisedeque, o sacerdote de Salem. Todo judeu do Antigo Testamento sabia que 10 por cento de toda sua renda era devido ao Senhor. Essa responsabilidade evidentemente também caído no esquecimento.

Novamente, não estamos sob a Lei de Moisés, mas há princípios aqui que se aplicam a nós. O princípio geral é que devemos estar comprometidos com a casa do Senhor. Dar as primícias significa que devemos dar o melhor ao Senhor e não as sobras. Nossa oferta deve ser planejada e alegre, mostrando que Deus tem o primeiro lugar em nossa corações (1Co 16.1-2; 2Co 8 e 9).

O padrão do Novo Testamento para dar o dízimo não é (10%), mas 100 por cento (1Co 16.2). Ele é o dono de tudo, nós apenas administramos para fins do Seu reino. Administrar bem as finanças à luz do propósito de Deus é um indicador muito confiável do seu compromisso com Jesus Cristo (Lc 16.10-13).

Deus não precisa do nosso dinheiro para manter Sua obra. Nem a Igreja deixará de existir, se alguns membros forem infiéis no dízimo, porque nosso Deus tem todo poder para multiplicar pães e peixes (Mc 6.41). Quando entregamos os dízimos e ofertas, estamos adorando, e, sobretudo com a afirmativa de que não estamos escravizados aos bens, e que confiamos no Senhor (Hb 13.5-6; 1Tm 6.7-10).

Lamentavelmente, existem muitos crentes infiéis que por causa da infidelidade e do devorador tornaram-se reféns da farmácia, do agiota, da oficina mecânica, dos móveis que foram obri¬gados a trocar pelos constantes ataques dos cupins, dos prejuízos causados nas firmas, acidentes na empresa, incêndi¬os, negócios maus feitos, etc. (Dt 28.15-68; JI 1.4;12; Ag 1.6; At 5). Tudo por causa da infidelidade.

A maneira de acabar com esta maldição financeira, não é pedindo a Pastores que orem por você, nem jejuando ou fazendo votos de dar isto ou aquilo outro para a igreja ou alguma entidade filantrópica, porém tomando uma atitude de ser fiel a Deus nos seus dízimos e nas suas ofertas. Assim, o devorador desaparecerá da sua vida (MI 3.11).

Deus tem o remédio ideal para acabar com a crise financeira em nossa vida. O nome deste valoroso remédio é fidelidade. Entregue aquilo que pertence ao Senhor. Comece hoje, uma vida de fidelidade com Deus.

Conclusão:

Uma fé que não custa nada não vale nada.[16] Se desejamos experimentar uma renovação espiritual, precisamos aplicar a Palavra de Deus em todas as áreas de nossa vida.

Uma senhora de cabelos grisalhos, que era membro de longa data da sua igreja saiu pela porta num domingo e disse ao seu pastor, “foi um sermão maravilhoso, maravilhoso. Tudo o que o Senhor disse se aplicar a alguém que eu conheço”. A chave para a renovação espiritual não é aplicar a verdade de Deus aqueles que conhecemos. Na verdade, devemos aplicá-la pessoalmente e especificamente.

Você quer a bênção de Deus em sua vida? Se você disser que sim, então não seja um ouvinte negligente da Palavra. Seja um praticante eficaz e você será abençoado por Deus.


[1] Boice, J. M. (2005). Nehemiah: An expositional commentary (106). Grand Rapids, MI: BakerBooks.

[2] Smith, J. E. (1995). The Books of History. Old Testament Survey Series (Ne 9.38–10.27). Joplin, MO: College Press.

[3] BARBER, Cyril J. Neemias e a dinâmica da liderança eficaz. São Paulo: Editora Vida, 1991, p. 125.

[4] MacArthur, J. (2001). Nehemiah: Experiencing the Good Hand of God. MacArthur Bible Studies (96). Nashville, TN: W Publishing Group.

[5] BARBER, Cyril J. Neemias e a dinâmica da liderança eficaz. São Paulo: Editora Vida, 1991, p. 124.

[6] DIETZ, Wilhelm, Holy War, New York, Macmillan, 1984, p. 108 e 109. apud. LARSEN, L. David, Anatomia da Pregação, Editora Vida, São Paulo, 1999, p. 14

[7] Boice, J. M. (2005). Nehemiah: An expositional commentary (108–109). Grand Rapids, MI: BakerBooks.

[8] CARSON, D. A. (organizador), Do Shabbath para o Dia do Senhor. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 23.

[9] MURRAY, John. Principles of Conduct (Grand Rapids: Eerdmans, 1957), p. 33.

[10] Achtemeier, P. J., & Society of Biblical Literature. (1985). Harper’s Bible dictionary (1st ed.) (574–575). San Francisco: Harper & Row.

[11] Boice, J. M. (2005). Nehemiah: An expositional commentary (111). Grand Rapids, MI: BakerBooks.

[12] Wiersbe, W. W. (1996). Be Determined. “Be” Commentary Series (123). Wheaton, IL: Victor Books.

[13] O siclo era a unidade básica de peso. Além do siclo regular, houve um siclo “real” (2Sm 14.26). O siclo tem sido estimada em (11,4 gramas). O siclo é usado nas Escrituras quase exclusivamente em contextos que lidam com valor monetário. Se a prata, o ouro, a cevada, ou farinha, a avaliação da mercadoria atribui um valor relativo a siclo na economia. As exceções a isto são a armadura e lança de Golias (1Sm 17.5-7), que são descritos em termos do seu peso - siclo. Elwell, W. A., & Comfort, P. W. (2001). Tyndale Bible dictionary. Tyndale reference library (1299). Wheaton, IL: Tyndale House Publishers.

[14] Wiersbe, W. W. (1996). Be Determined. “Be” Commentary Series (125). Wheaton, IL: Victor Books.

[15] Boice, J. M. (2005). Nehemiah: An expositional commentary (112). Grand Rapids, MI: BakerBooks.

[16] Smith, J. E. (1995). The Books of History. Old Testament Survey Series (Ne 10.30–39). Joplin, MO: College Press.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Nosso Grande Deus – Ne 9.1-37

propaganda blog por Rev. Jocarli A. G. Junior

Em Neemias 8, as pessoas ouviram a Palavra de Deus e choraram em arrependimento, reconhecendo quão seriamente eles e seus antepassados ​​tinham pecado contra Deus. Mas aquele era um momento de festa e assim Neemias e os outros líderes exortaram as pessoas para não chorar, mas para se alegrar, acrescentando que “a alegria do Senhor é a nossa força” (8.10). Mas agora, dois dias depois da Festa dos Tabernáculos, o povo se reúne novamente, desta vez, em jejum, com pano de saco e terra sobre a cabeça. Uma demonstração externa de uma profunda lamentação e peso no coração pela própria iniquidade. O povo estava arrependido!

Mais uma vez, a lei do Senhor foi lida por várias horas, e em seguida, os levitas, talvez liderados por Esdras, fazem uma grande oração de confissão. Juntamente com Esdras 9 e Daniel 9, esta é uma das grandes orações de arrependimento e confissão da Bíblia. Esta oração é cheia de instrução sobre quem é Deus, quem somos, e como Deus tem graciosamente trabalhado em favor do Seu povo.

O capítulo 9 traz três lições simples, mas importantes:

I. Nós somos tão propensos a pecar
“1 No dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de Israel com jejum e pano de saco e traziam terra sobre si. 2 Os da linhagem de Israel se apartaram de todos os estranhos, puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das iniquidades de seus pais. 3 Levantando-se no seu lugar, leram no Livro da Lei do Senhor, seu Deus, uma quarta parte do dia; em outra quarta parte dele fizeram confissão e adoraram o Senhor, seu Deus” (Ne 9.1-3)
“No dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de Israel...” (v. 1) – Quando o povo se reuniu na porta das Águas era o primeiro dia do mês, quando se juntaram para ouvir a Lei do Senhor durante toda a manhã, possivelmente, por cinco horas de duração. No segundo dia, os chefes de família retornaram, e descobriram em seu estudo nos livros da Lei de Deus que não estavam mantendo a Festa dos Tabernáculos - a Festa da Colheita. Então, no dia quinze do mês, eles celebraram a Festa dos Tabernáculos – uma festa que durava sete dias. E no oitavo dia eles realizaram uma assembleia solene. Mas agora, é o vigésimo quarto dia. Houve alegria na Festa dos Tabernáculos, mas agora é um tempo para chorar. Durante um quarto do dia, eles ouviram a leitura das Escrituras - três horas, talvez. E por mais três horas, eles adoraram e confessaram seus pecados a Deus.

Na maioria das igrejas, hoje, seis horas de culto, com três horas de pregação e três horas de oração, provavelmente resultaria em alguns pedidos de demissão do Pastor, mas para o povo judeu, aquele dia, era o começo de uma nova vida para eles e sua cidade.[1]

“Os da linhagem de Israel se apartaram de todos os estranhos, puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das iniquidades de seus pais” (v. 2) – Finalmente, eles colocaram em prática as palavras de Esdras. As pessoas se separaram do mundo enquanto se aproximavam do Senhor (Ne 9.2; Ed 6.21). Uma separação sem devoção ao Senhor torna-se isolamento, mas a devoção sem separação é hipocrisia (ver 2Co 6.14-7.1). A nação de Israel foi escolhida por Deus para viver separado das nações pagãs ao seu redor (Lv 20.26). O apóstolo Pedro aplicou estas palavras para os crentes na igreja de hoje (1Pe 1.15; 2.9-10).

Esse chamado para se divorciarem de suas esposas de origem pagã era necessário porque o que havia sido feito sob a liderança de Esdras, 14 anos antes (Ed 10), só havia alcançado um êxito parcial. Muitos tinham se esquivado do divórcio e permanecido com suas mulheres pagãs. Talvez novos transgressores também tivessem surgido, e estivessem sendo confrontados pela primeira vez. Os esforços de Neemias para eliminar esse tipo de mistura maligna foram bem-sucedidos.

“Levantando-se no seu lugar, leram no Livro da Lei do SENHOR, seu Deus, uma quarta parte do dia...” (v. 3) – Eles leram por mais de três horas a respeito dos pecados de seus pais, e, por mais de três horas confessaram a sua participação em obras más semelhantes. A Bíblia desnuda a verdadeira condição de nossos corações diante de Deus. “... A palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.12-13).

João Calvino abre o Livro Um de suas Institutas, tratando acerca do “Conhecimento de Deus”. Para ele, quando temos qualquer conhecimento de Deus, conseguimos ver quem realmente somos: “... É notório que o homem jamais chega ao puro conhecimento de si mesmo até que haja antes contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar-se a si próprio. Ora, sendo-nos o orgulho a todos ingênito, sempre a nós mesmos nos parecemos justos, e íntegros, e sábios, e santos, a menos que, em virtude de provas evidentes, sejamos convencidos de nossa injustiça, indignidade, insipiência e depravação. Não somos, porém, assim convencidos, se atentamos apenas para nós mesmos e não também para o Senhor, que é o único parâmetro pelo qual se deve aferir este juízo”.[2]

Assim, temos que ler este capítulo e perceber que estamos olhando no espelho. Ele descreve a propensão do nosso coração!

“...em outra quarta parte dele fizeram confissão e adoraram o SENHOR, seu Deus” (v. 3) – No vigésimo quarto do mesmo mês, três semanas e meia mais tarde, um dia nacional de arrependimento foi realizado.[3] O povo também teve tempo para confessar os seus pecados (v. 2-3) e buscar o perdão do Senhor. O Dia anual da Expiação havia passado, mas os adoradores sabiam que precisavam de uma purificação e renovação do Senhor.

Oito levitas se levantaram e expressaram seu sofrimento espiritual. Um segundo grupo de oito levitas conduziu uma oração responsiva de louvor. Aparentemente, todos eles recitaram a oração em uníssono, por isso deve ter sido escrita antes. Desde que a linguagem é semelhante à oração em Esdras 9, é bem provável que, o grande escriba e sacerdote seja o autor da oração (9:3-4).[4]

As pessoas não só reconheceram o seu pecado individual, mas também, entenderam que eles faziam parte de um povo ou nação e, portanto, também eram coletivamente culpados (v. 2).
Este é o oposto do que algumas pessoas fazem hoje. Quando os judeus dos dias de Neemias confessaram os pecados de seus pais, eles reconheceram a própria culpa pelos pecados de seus pais. Hoje, se as pessoas se referem aos pecados de seus pais, eles se desculpam, em vez de assumirem qualquer responsabilidade. Eles culpam seus erros em seus temperamentos ou pela maneira como foram educados.[5]

Há um paradoxo na vida cristã: quanto mais você anda com Deus, mais você fica ciente da depravação terrível de seu próprio coração. Não foi no início da vida cristã de Paulo, mas no fim que ele disse, “... Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Tm. 1:15). Ele não disse, “entre os quais eu costumava ser o maior de todos”, mas em vez disso, “Eu sou o maior de todos”. Quanto mais Paulo andava com Deus e contemplava Sua justiça perfeita, mais ele estava consciente de seu próprio pecado, ainda que em sua caminhada diária, ele estivesse crescendo em santidade. Assim, quanto mais você conhece a Deus e seu próprio coração através de Sua Palavra, mais você vai perceber o quão propenso ao pecado você realmente é.

Em uma ocasião, o grande reformador, Martinho Lutero, estava muito deprimido. Não desejava levantar-se a despeito dos apelos da família e amigos. Finalmente, sua esposa, Katie, colocou um vestido preto, parecendo uma viúva de luto. Quando Lutero percebeu, ele perguntou-lhe quem tinha morrido. Ela respondeu que Deus no céu deve ter morrido, a julgar pelo comportamento de Lutero. Sua depressão foi embora de imediato, ele sorriu e beijou a sua sábia esposa.

Você pode estar deprimido hoje - talvez devido ao seu pecado, experimentou ou talvez devido a algumas outras circunstâncias difíceis, como Lutero. Apenas lembre-se, não importa o quão quebrado você esteja, o caminho de volta ao nosso soberano Senhor, suficiente e gracioso está sempre aberto. Ele convida você a voltar para Ele.

sábado, 25 de agosto de 2012

João Calvino e o Seu Desejo pela Glória de Deus em Cristo

calvino

Em 1538, o cardeal italiano Sadoleto escreveu aos líderes de Genebra tentando persuadi-los a voltarem para a Igreja Católica Romana, depois que eles abraçaram os ensinamentos da reformada. Ele começou a carta com uma longa seção conciliatória sobre a preciosidade da vida eterna, antes de tratar das acusações contra a Reforma. Calvino escreveu a resposta ao Sadoleto em seis dias, no outono de 1539. Essa carta foi um dos seus primeiros escritos e espalhou seu nome como reformador por toda a Europa. Lutero leu a carta e disse: “Aqui está um escrito que tem mãos  e pés. Alegro-me que Deus levante tais homens”.[1]

O zelo incessante de Calvino em ilustrar a glória de Deus

A resposta de Calvino à Sadoleto é importante porque revela a raiz da discussão de Calvino com Roma, que determinaria sua vida inteira. A questão não foi, em primeiro lugar, sobre os pontos bem conhecidos da Reforma: a justificação, os abusos sacerdotais, transubstanciação, orações a santos e autoridade papal. Todos foram discutidos. Mas secundariamente, a questão fundamental para João Calvino, desde o início de sua vida até o fim, foi a questão da centralidade e supremacia e majestade da glória de Deus.[2]

Aqui está o que Calvino disse ao cardeal: "[Teu] zelo por uma vida santa [é] um zelo que mantém um homem inteiramente devoto a si mesmo e não o desperta, em nenhum momento, a santificar o nome de Deus". Em outras palavras, mesmo a verdade preciosa a respeito da vida eterna pode ser bastante distorcida e deslocar Deus do centro e do alvo. Esta era a principal contenda de Calvino com Roma. Isso sempre aparece em seus escritos. Ele continua e diz a Sadoleto o que ele deveria fazer — e o que Calvino almeja fazer toda sua vida — "colocar à frente [do homem], como motivo primordial de sua existência, zelo para demonstrar a glória de Deus".

O significado essencial da vida de João Calvino e sua pregação é que ele recuperou e personificou uma paixão pela realidade absoluta da majestade de Deus. Benjamin Warfield disse sobre Calvino, “Nenhum homem jamais teve um sentido mais profundo de Deus do que ele”.[3]

Geerhardus Vos, estudioso do Novo Testamento de Princeton, fez esta pergunta em 1981: “Porque é que a teologia reformada foi capaz de compreender a plenitude da Escritura ao contrário de qualquer outro ramo do cristianismo? Ele respondeu: Porque a teologia reformada pegou das Escrituras a sua ideia central e raiz mais profunda... Esta ideia ou raiz que serviu de chave para abrir os tesouros das Escrituras foi a preeminência da glória de Deus na consideração de tudo o que foi criado.”[4] Foi essa orientação implacável pela glória de Deus que deu coerência à vida de João Calvino e à tradição reformada. Vos disse que o “slogan abrangente da fé reformada foi este: a obra da graça no pecador é um espelho da glória de Deus”. Espelhar a glória de Deus foi o sentido da vida de João Calvino e seu ministério.[5]

Quando Calvino estava concluindo à questão da justificação em sua resposta à Sadoleto, ele disse, “você... aborda sobre a justificação pela fé, como o assunto mais agudo da controvérsia entre nós... Onde quer que esse conhecimento seja retirado, a glória de Cristo é extinta”. Então, aqui, novamente, podemos ver o que é fundamental. A justificação pela fé é crucial. Mas há uma razão mais profunda por isso que é crucial. A glória de Cristo está em jogo. Onde quer que o conhecimento da justificação seja tirado, a glória de Cristo é extinta. Este é sempre o mais profundo problema para Calvino. Como a verdade e o comportamento “ilustram a glória de Deus”?

Movido pelo desejo de mostrar a glória de Deus

Para Calvino, a necessidade da Reforma foi basicamente esta: Roma tinha “destruído a glória de Cristo em muitas maneiras, apelando a santos para interceder, quando Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e o homem; adorando a Virgem Santíssima, quando Cristo deve ser adorado; oferecendo um contínuo sacrifício da missa, quando o sacrifício de Cristo na Cruz é completo e suficiente,[6] elevando a tradição ao nível das Escrituras e até mesmo fazendo a palavra de Cristo dependente da autoridade na palavra do homem.[7] Calvino pergunta, em seu comentário sobre a carta aos Colossenses, “Como é que somos levados por muitas doutrinas estranhas (Hb 13.9)?” Ele responde: “Porque a excelência de Cristo não é percebida por nós”. Em outras palavras, o grande guardião da ortodoxia bíblica ao longo dos séculos é uma paixão pela glória e a excelência de Deus em Cristo. Onde o centro se desloca de Deus, tudo começa a mudar em todos os lugares, fato que não prediz nada de bom à fidelidade doutrinária em nossos dias não centrada em Deus.

Portanto, a raiz unificadora de todos os trabalhos de Calvino foi a sua paixão para mostrar a glória de Deus em Cristo. Quando ele tinha 30 anos de idade, ele descreveu uma cena imaginária de si mesmo, no final de sua vida, prestando contas a Deus. Ele disse: “A coisa [ó Deus] em que eu principalmente busco, e para o qual eu trabalhei mais diligentemente, foi que a glória de tua bondade e justiça... resplandecesse, que a virtude e as bênçãos de Cristo... pudessem ser totalmente exibidas”.[8]

“Vinte e quatro anos depois, inalterado em suas paixões e metas, e um mês antes de realmente prestar contas a Cristo no céu (ele morreu com 54 anos), as últimas palavras de Calvino foram, “Eu não escrevi nada por ódio a qualquer pessoa, mas eu fielmente sempre propus e estimei viver para a glória de Deus”.[9]

 

John Calvin and His Passion for the Majesty of God
Copyright © 2009 by Desiring God Foundation

Tradução: Rev. Jocarli A. G. Junior


[1] Henry F. Henderson, Calvin in His Letters (London: J. M. Dent, 1909), 68.

[2] John Dillenberger, John Calvin, Selections from His Writings (Atlanta: Scholars Press, 1975), 89; emphasis added.

[3] Benjamin Warfield, Calvin and Augustine (Philadelphia: Presbyterian and Reformed, 1971), 24.

[4] Geerhardus Vos, “The Doctrine of the Covenant in Reformed Theology,” in Redemptive History and Biblical Interpretation: The Shorter Writings of Geerhardus Vos (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 1980), 241–42; emphasis added.

[5] Phillipsburg, NJ: Presbyterian; Ibid., 248.

[6] T. H. L. Parker, Portrait of Calvin (Philadelphia: Westminster Press, 1954), 109.

[7] João Calvino, Institutas da Religião Cristã, vl. 1, cap., 7, 1. “Entre a maioria, entretanto, tem prevalecido o erro perniciosíssimo de que o valor que assiste à Escritura é apenas até onde os alvitres da Igreja concedem. Como se de fato a eterna e inviolável verdade de Deus se apoiasse no arbítrio dos homens!” João Calvino, Institutas da Religião Cristã, ed. John McNeill e Thomas Ford Lewis Battles, The Library of Christian Classics, vol. 21 (Philadelphia: Westminster Press, 1960).

[8] John Dillenberger, John Calvin, Selections from His Writings (Atlanta: Scholars Press, 1975), 110.

[9] Ibid., 42.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Deus nos escolheu

predestination 1por Rev. Jocarli A. G. Junior

Em 1998, uma revista americana trouxe em sua edição uma lista dos 40 americanos mais ricos da história. Havia 39 homens e uma mulher na lista. A americana mais rica na história dos Estados Unidos foi Hetty Green cuja fortuna quando morreu em 1916 foi calculada em $100 milhões de dólares.

Entretanto, Hetty Green ficou famosa não pela riqueza que possuía, mas pela forma mesquinha e avarenta como vivia. Ela comia mingau de aveia frio para não gastar gás de cozinha. Seu filho teve que amputar a perna, por que ela demorou tanto tempo para encontrar atendimento “gratuito” que o caso tornou-se incurável. Hetty Green era uma mulher rica e, no entanto, escolheu viver como mendiga.

Foi pensando em cristãos que vivem desta forma que o apóstolo Paulo escreveu a Epístola aos Efésios. Paulo diz no terceiro versículo de Efésios 1, que Deus “... tem nos abençoado com toda sorte de bênção  espiritual nas regiões celestiais  em Cristo”. Mas, como podemos ter essas bênçãos? A resposta está nos versículos de 4 a 6, onde encontramos o resultado da eleição soberana de Deus. Paulo começa dizendo: “assim como nos escolheu nele...” (v. 4). A conjunção “assim” [Kathos, em grego], significa “assim como” ou “porque”, uma espécie de dobradiça entre os versículos 4 e 3, ou uma explicação. Estes versículos revelam parte do plano eterno de Deus na formação da igreja, o Corpo de Cristo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Reavivamento na Porta das Águas – Neemias 8

propaganda blog estudospor Rev. Jocarli A. G. Junior
Ao longo dos séculos, o povo de Deus enfrenta períodos onde a Sua Palavra tem sido negligenciada e como resultado, a vida espiritual se deteriora. No entanto, em Sua graça, Deus envia tempos de refrigério. Inevitavelmente, uma das marcas principais de tal renovação é uma ênfase na Palavra de Deus.
Vemos isso no Antigo Testamento, quando Judá definhou-se diante dos reinados dos ímpios Manassés, e seu filho, Amom. Porém, o filho de Amom, o rei Josias, começou a buscar o Senhor quando ele tinha 16 anos e instituiu reformas espirituais. Então o sacerdote Hilquias encontrou uma cópia da lei de Deus, Tendo o rei ouvido a s palavras da lei, rasgou as suas vestes e chamou a nação ao arrependimento (2Cr 34.14). O reavivamento prosseguiu, pois a Palavra de Deus foi obedecida.
O mesmo aconteceu durante a Reforma Protestante, que teve como objetivo precípuo uma volta às Sagradas Escrituras, a fim de reformar a Igreja que havia caído ao longo dos séculos, numa decadência teológica, mora e espiritual.[1] O “reavivamento” da pregação da Palavra foi um dos marcos fundamentais da Reforma. Além disso, os Reformadores criam que se as Escrituras estivessem numa língua acessível, todos poderiam ouvir a voz de Deus. John Wycliffe e William Tyndale trabalharam para obter a Bíblia traduzida em inglês. Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão. João Calvino começou a pregar sermões expositivos, explicar e aplicar a Palavra ao povo de Genebra.
A Reforma foi construída sobre o fundamento da centralidade da Bíblia. O princípio da Sola Scriptura (“Somente as Escrituras”) ensinava que somente a Escritura Sagrada tem a palavra final em matéria de fé e prática.[2]
A Palavra de Deus é viva e eficaz. É o leite que pode nutrir a vida nova e fortalecer a alma. É um martelo e um fogo para se livrar do pecado e bálsamo para curar as feridas. É uma espada para derrotar o diabo e mel para o coração.[3]
Não é de surpreender que, quando Neemias deixa a sua colher de pedreiro, ele pega a sua Bíblia. Neemias 8 nos apresenta três marcas de uma renovação espiritual relacionada com a Palavra de Deus:

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Confiança em Deus, nas Provações

hands-big-and-little (1)”Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde” (Salmo 3)

Todos nós enfrentamos provações e situações que nos levam a acreditar que a esperança não existe. Muitas vezes achamos até que Deus não existe. Logo, a grande questão é: o que você faz quando a vida desaba sobre a sua cabeça? O que você faz quando a vida desmorona? Davi quando se sentiu assim, escreveu um Salmo!

1 SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. 2 São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus sal vação para ele.

Davi começa o Salmo clamando ao Senhor. A palavra SENHOR está em letras maiúsculas, significa Javé, o Deus da aliança, o nome de Deus ao se revelar a Moisés na sarça ardente.  Quando Davi clama a Deus como o “Senhor”, essa expressão tem a mesma conotação do Novo Testamento, quando os cristãos se dirigiam a Deus como “Abba, Pai” (Willem VanGemeren, Expositor’s Bible Commentary, ed. por Frank Gaebelein [Zondervan], 5:74). O clamor de Davi é um grito íntimo e pessoal ao Altíssimo por ajuda.

“... como tem crescido o número dos meus adversários!” – Davi clama a Deus porque os seus adversários estavam aumentando. Na realidade, ele sempre teve muitos amigos, mas também, fileiras de inimigos que cresciam diariamente. Como uma pequena e insignificante rachadura em uma represa que vai minando água e de repente explode causando grande devastação, do mesmo modo, os inimigos de Davi desejavam varrê-lo da face da terra.

“São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele” – Em segundo lugar, o versículo 2 apresenta as palavras dos inimigos, que estavam impugnando o relacionamento de Davi com Deus.  Provavelmente, eles estavam trazendo à tona os pecados de Davi, quem sabe, o pecado do adultério com Bate-Seba e o assassinato de Urias. Aos olhos dos inimigos, o rei Davi havia sido abandonado por Deus, assim eles pensavam que era seguro atacá-lo (Craigie, Peter C.: Word Biblical Commentary: Psalms 1-50. Dallas : Word, Incorporated, 2002 (Word Biblical Commentary 19), S. 73). É por isso que eles declaram “não há em Deus salvação para ele”.

Na verdade, essa era uma prática de guerra no Oriente Médio, o papel dos deuses era considerado altamente significativo, e era comum entre os exércitos atacarem os inimigos criticando ou zombando de suas divindades.

O grande pregador britânico, Charles Haddon Spurgeon acertadamente escreveu: “A mais amarga de todas as aflições é ser conduzido ao medo de que não há ajuda em Deus para nós” (C. H. Spurgeon, The Treasury of David, vol. 1a,Psalms 1–26 (Grand Rapids: Zondervan, 1968), 23).

Porém, o que os nossos inimigos esquecem é que não há uma ocasião se quer em que os olhos de Deus não estejam postos sobre a nossa vida. Quando o rei Nabucodosor desafiou Sadraque, Mesaque e Abednego, ele disse: “E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (Dn 3.15). O que Nabucodonosor não sabia é que a fornalha ardente demonstraria onde estava o verdadeiro poder.

É importante observar que Sadraque, Mesaque e Abednego reconhecem que Deus pode livrar, mas não dizem que Ele o fará: “Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder... Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste” (Dn 3.16-18).

Ou seja, devemos ser fiéis a Deus, não apenas pelo que Deus faz, mas por quem Deus é. Aqueles homens não serviam a Deus por causa dos benefícios. Eles serviam a Deus por causa do caráter de Deus. Lamentavelmente, muitos cristãos desejam apenas as bênçãos, mas não a Deus.

Nossa função é ser fiel, e não se preocupar com os resultados. É assim que a fé deve funcionar em nossa vida (Hc 3.17-19). A fé que não é autêntica, não resiste nos tempos de perseguição e provação, mas a fé verdadeira desenvolve raízes mais profundas, cresce e glorifica a Deus.

Às vezes somos chamados para lutar contra aqueles que nos perseguem. No entanto, há momentos em que mesmo quando somos perseguidos, só precisamos parar e aquietar o nosso coração e assim, desfrutar da paz de Deus.

No dia em que John Wesley morreu, sua voz era fraca e difícil de ser compreendida. Ele falava com muita dificuldade. Mas, como no passado, com todo o restante de sua força, ele gritou: “O melhor de tudo é que Deus está conosco”. Então, levantando a mão e agitando-o em triunfo, ele exclamou novamente de forma emocionante: “o melhor de tudo é que Deus está conosco”.

As tempestades e as perseguições se levantarão contra nós, mas o melhor de tudo é saber que o SENHOR é o nosso escudo, glória e o que exalta a nossa cabeça (Sl 3.3).

Está o Senhor Todo-Poderoso com você? É o Deus de Jacó, o seu refúgio, como foi para John Wesley e Davi?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Teologia Reformada

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A Teologia Reformada recebe seu nome da Reforma Protestante do século XVI, com suas ênfases teológicas distintas, mas é teologia solidamente baseada na própria Bíblia. Os crentes na tradição reformada têm alta consideração as contribuições específicas como as de Martinho Lutero, Jonh Knox e, particularmente, de João Calvino, mas eles também encontram suas fortes distinções nos gigantes da fé que os antecederam, tais como Anselmo e Agostinho e principalmente nas cardas de Paulo e nos ensinamentos de Jesus Cristo.

Os Cristãos Reformados sustentam as doutrinas características de todos os cristãos, incluindo a Trindade, a verdadeira divindade e humanidade de Jesus Cristo, a necessidade do sacrifício de Jesus pelo pecado, a Igreja como instituição divinamente estabelecida, a inspiração da Bíblia, a exigência para que os cristãos tenham uma vida reta, e a ressurreição do corpo. Eles sustentam outras doutrinas em comum com cristãos evangélicos, tais como justificação somente pela fé, a necessidade do novo nascimento, o retorno pessoal e visível de Jesus Cristo e a Grande Comissão.

O que, então, distinto a respeito da Teologia Reformada?

1. A Doutrina das Escrituras

O compromisso da reforma para com a Escritura enfatiza a inspiração, autoridade e suficiência da Bíblia. Uma vez que a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, tem a autoridade do próprio Deus, os reformadores afirmam que essa autoridade é superior àquela de todos os governos e de todas as hierarquias da Igreja. Essa convicção deu aos crentes reformados a coragem para enfrentar a tirania e fez da teologia reformada uma força revolucionária na sociedade. A suficiência das Escrituras significa que ela não necessita ser suplementada por uma revelação nova ou especial. A Bíblia é o guia completamente suficiente para aquilo que nós devemos crer e para como nós devemos viver como cristãos.

Os Reformadores, em particular, João Calvino, enfatizaram o modo como a Palavra escrita, objetiva e o ministério interior, sobrenatural do Espírito Santo trabalham juntos, e o Espírito Santo iluminando a Palavra para o povo de Deus. A Palavra sem a iluminação do Espírito Santo mantém-se como um livro fechado. A suposta condução do Espírito sem a Palavra leva a erros excessos. Os Reformadores também insistiam sobre o direito de os crentes estudarem as Escrituras por si mesmos. Ainda que não negando o valor de mestres capacitados, eles compreenderam que a clareza das Escrituras em assuntos essenciais para a salvação torna a Bíblia propriedade de todo crente. Com esse direito de acesso, sempre vem a responsabilidade sobre a interpretação cuidadosa e precisa.

2. A Soberania de Deus

Para a maioria dos reformadores, o principal e o mais distinto artigo do credo é a soberania de Deus. Soberania significa governo, e a soberania de Deus significa que Deus governa sua criação com absoluto poder e autoridade. Ele determina o que vai acontecer, e acontece. Deus não fica alarmado, frustrado ou derrotado pelas circunstâncias, pelo pecado ou pela rebeldia de suas criaturas.

3. As Doutrinas da Graça

A Teologia Reformada enfatiza as doutrinas da graça.

Depravação Total: Isso não quer dizer que todas as pessoas são tão más quanto elas poderiam ser. Significa, antes, que todos os seres humanos são afetados pelo pecado em todo campo do pensamento e da conduta, de forma que nada do que vem de alguém, separado da graça regeneradora de Deus, pode agradá-lo. À medida que nosso relacionamento com Deus é afetado, nós somos tão destruídos pelo pecado, que ninguém consegue entender adequadamente Deus ou os caminhos de Deus. Tampouco somos nós que buscamos Deus, e, sim, é ele quem primeiramente age dentro de nós para levar-nos a agir assim.

Eleição Incondicional: Uma ênfase na eleição incomoda muitas pessoas, mas o problema que as preocupa não é realmente a eleição; diz respeito à depravação. Se os pecadores são tão desamparados em sua depravação, como a Bíblia diz que são, incapazes de conhecer a Deus e relutantes em buscá-lO, então, o único meio pelo qual eles podem ser salvos é quando Deus toma a iniciativa de mudá-los e salvá-los. É isso que significa eleição. É Deus escolhendo salvar aqueles que, sem sua soberana escolha e subseqüente ação, certamente pereceriam.

Expiação Limitada: O nome é, potencialmente, enganoso, pois ele parece sugerir que os reformadores desejam de alguma forma limitar o valor da morte de Cristo. Não é o caso. O valor da morte de Cristo é infinito. A questão é saber qual é o propósito da morte de Cristo e o que ele realizou com ela. Cristo pretendia fazer da salvação algo não mais que possível? Ou ele realmente salvou aqueles por quem morreu? A Teologia Reformada acentua que Jesus realmente fez a propiciação pelos pecados daqueles a quem o Pai escolhera. Ele realmente aplacou a ira de Deus para com seu povo, assumindo a culpa sobre si mesmo, redimindo-os verdadeiramente e reconciliando verdadeiramente aquelas pessoas específicas com Deus. Um nome melhor para expiação “limitada” seria redenção “particular” ou “específica”.

Graça Irresistível: Abandonados em nós mesmos, nós resistimos à graça de Deus. Mas, quando Deus age em nosso coração, regenerando-nos e criando uma vontade renovada, então, o que antes era indesejável torna-se altamente desejável, e voltamo-nos para Jesus da mesma forma como antes fugíamos dele. Pecadores arruinados resistem à graça de Deus, mas a sua graça regeneradora é efetiva. Ela supera o pecado e realiza os desígnios de Deus.

Perseverança dos Santos: Um nome melhor seria “perseverança de Deus para com os santos”, mas ambas as idéias estão realmente juntas. Deus persevera conosco, protegendo-nos de deixar a fé, que certamente aconteceria se ele não estivesse conosco. Mas, porque ele persevera, nós também perseveramos. Na realidade, perseverança é a prova definitiva de eleição.

4. Mandato Cultural

A Teologia Reformada também enfatiza o mandato cultural ou a obrigação de os cristãos viverem ativamente em sociedade e de trabalharem para a transformação do mundo e suas culturas. Os reformadores tiveram várias perspectivas nessa área, dependendo da extensão como acreditam que a transformação seja possível. Mas, no geral, concordam com duas coisas. Primeira, nós somos chamados para estar no mundo e não para nos afastarmos dele. Isso separa os reformadores crentes do monasticismo. Segunda, nós devemos alimentar os famintos, vestir os despidos e visitar os prisioneiros. Mas as principais necessidades das pessoas são espirituais, e a obra social não é substituto adequado para a evangelização. Na verdade, o empenho em ajudar as pessoas só será verdadeiramente eficiente se seu coração e mente forem transformados pelo Evangelho. Isso separa os crentes reformados do simples humanitarismo.

Tem-se alegado que, para a Teologia Reformada, qualquer pessoa que crê e faça parte da linha reformada perderá toda a motivação para a evangelização. “Se Deus vai agir, por que devo me preocupar?” Mas não é assim que funciona. É porque Deus executa a obra que nós podemos Ter coragem de nos unirmos a ele, da forma como ele nos ordena a agir. Nós agimos assim alegremente, sabendo que nossos esforços jamais serão em vão.

James Montgomery Boice

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Convite - Conferência Evangelística